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Operando Notícias do Jeito Certo

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Antes de tudo, operar notícias no day trade não é algo simples. É para traders experientes e com sólidos conhecimentos dos fundamentos e mecânica dos mercados. Este artigo busca mostrar como analisar o mercado com uma abordagem macro fundamentada, encontrar ativos para operar e aplicar a análise de fluxo de ordens para encontrar timing e os melhores níveis de preços.

 

OS MITOS DO MERCADO

É muito comum que durante a jornada educacional no mercado, os traders iniciantes confiarem integralmente nos ensinamentos de seus professores, principalmente analistas de corretoras. Nada de errado com isso, pelo contrário, faz parte do processo de aprendizagem. Mas é preciso ter senso crítico, ser autônomo no processo de tomada de decisão e não usar o conteúdo como muleta, pois o iniciante só terá evolução significativa se conseguir gerar ideias e operações por conta própria.

Dentro dessa bolha educacional, acabam-se surgindo alguns mitos em torno do que é operar notícias. Alguns mitos aparecem: “a notícia já está no preço”, “os HFTs são os únicos que ganham dinheiro”, “os insiders já operaram”, “isso é só pra quem faz position trading”, “como o gráfico desconta tudo, não tem como operar” e outros equívocos.

São afirmações subjetivas e, portanto, sem base fundamentada. Neste artigo vamos buscar entender de verdade como gerar ideias e aprender a como operar notícias que realmente podem movimentar o mercado e gerar operações de alta qualidade.

 

COMO OPERAR NOTÍCIAS?

Uma parcela significativa de iniciantes olha para mercado, geralmente pensando em padrões gráficos e, em última instância, no preço. O preço é uma variável muito importante porque afeta diretamente o P&L (Profit and Loss), margem e precificação de produtos de grandes participantes como bancos, Assets, hedge funds, fundos de investimentos e até empresas.

Além do preço, o cenário macro é outra variável fundamental, que pode alterar o sentimento dos participantes e fazer com que os institucionais e seus clientes ajustem suas posições, e isso pode afetar diretamente os preços dos ativos.

Com isso em mente, ao estudar o cenário macro – dados econômicos, acontecimentos geopolíticos e atuações dos bancos centrais -, é possível gerar um cenário condicional para a variável “conjuntura”: o vetor de mercado.

Quando o trader tem um vetor bem trabalhado, considerando as principais variáveis que podem alterar o sentimento e atuação de grandes participantes em diferentes classes de ativos, torna-se real a atuação em “notícias”, chamado em nível institucional de evento de risco.

 

Um evento de risco é, de forma resumida, qualquer acontecimento que pode alterar os níveis de preços dos ativos, a volatilidade e o sentimento dos participantes do mercado. Diante disso, o trader pode filtrar esses eventos para gerar excelentes operações de acordo a um vetor de mercado realista.

É importante considerar o seguinte: não é criar viés operacional para o intraday, mas compreender o que o mercado está precificando e o sentimento do mercado pela ótica macro. Criar um processo sistemático para essa abordagem pode levar tempo, estudo, testes e muito “gut feeling” operacional (experiência + aceitação de risco).

Um fundamento muito importante do trader: o mercado – seus participantes – poderá fazer o que tiver que fazer, independente das interpretações subjetivas de participantes pequenos, como os traders de varejo e até pequenas e médias instituições. Vieses e opiniões no intraday podem não se sustentar, pois, no final das contas, são as opiniões e decisões de gestores de grandes fundos e instituições que podem movimentar os preços.

Mais importante, ao entender essa característica e aceitar a natureza do mercado, se faz ainda mais necessário o estudo do cenário macro atual e o esperado com que os participantes estão trabalhando. Os traders autônomos podem buscar atuar como profissionais de mercado para tomar melhores decisões neste mercado de profissionais.

Antes de operar neste nível, o trader precisará conhecer muito bem os mercados e as classes de ativos, para que ele possa operar consciente, aceitando todos as incertezas e os riscos do processo, bem como gerar ideias originais, pautadas em fundamentos sólidos de mercado.

 

GERANDO UM CENÁRIO CONDICIONAL MACRO (RESUMIDO)

Resumindo a conjuntura atual do mercado (opinião do autor), o mercado pode estar operando em estado misto, ou seja, sinais divergentes quanto ao futuro das maiores economias do G20. Nos últimos anos, a economia americana cresceu rápido, isso fez com o que Federal Reserve atuasse para manter o crescimento em níveis sustentáveis atuando no nível do controle inflacionário usando uma posição e instrumentos de política monetária hawkish, ou seja, basicamente aumentando a taxa de juros (a Fed Funds Rate).

No gráfico abaixo é possível ver a evolução da taxa de 1 dia (overnight) negociada no “Open Market” americano (taxa que os dealers primários utilizam com referência) desde a crise do Subprime (2008) até os dias atuais (18 de julho de 2019).

Além disso, o presidente Donald Trump com sua política “USA First”, criou incertezas globais ao começar uma Guerra Comercial com a China. Isso entrou como uma variável importante no balanço de riscos do Comitê de Política Monetária do FED (FOMC) e de todos os bancos centrais do G20.

As mudanças na política monetária da maior economia em desenvolvimento do mundo pode entrar na categoria de eventos de risco que podem acabar criando um efeito em cascata em todas as classes de ativos devido a capacidade de afetar todo o sistema financeiro global, ainda mais em um momento em que as outras economias desenvolvidas – os emergentes também – passam por grandes dificuldades na geração de crescimento.

Com o Brexit também na mesa e uma economia em decadência mesmo após diversas rodadas de incentivos monetários nos últimos anos, a Europa está com taxas de juros negativas, envolta de incertezas políticas e fiscais. Neste gráfico temos a evolução da taxa de 1 dia (overnight) negociada no “Open Market” europeu (taxa que os dealers primários utilizam com referência) desde a crise do Subprime (2008) até os dias atuais (18 de julho de 2019).

No campo dos emergentes, o Brasil pode ser destaque em termos de sentimento positivo para o futuro. Bolsa navegando nas máximas históricas, câmbio em níveis saudáveis dado o cenário macro, taxa de juros em forte queda e governo com agenda positiva. Mas isso não quer dizer que a economia está indo bem e que o cenário internacional deve ser ignorado.

É importante que o trader saiba que o mercado financeiro opera as expectativas, precificando os preços dos ativos. Operando em níveis estáveis, colocando prêmio ou desconto.

 

CAPTURANDO O VETOR DE MERCADO E APLICANDO NO INTRADAY

Com este vetor de mercado, o próximo passo é acompanhar o dinamismo do mercado e dos participantes para operar no intraday. O mercado opera expectativas, portanto, a tese de que tudo está no preço (ou no gráfico, que é uma forma visual de ver os níveis de preço) pode ser importante neste processo de leitura.

Os mercados são arbitrados e precificados a todos os momentos, tanto em nível macro quanto micro. Logo, quando algum evento que altera um cenário condicional, os participantes fazem os ajustes para a nova realidade. É com isso no DNA operacional que traders profissionais geram operações e ideias de alto valor.

Nos últimos meses o mercado vem passando por mudanças importantes. Os bancos centrais estão mostrando um posicionamento cada vez mais dovish (afrouxamento monetário), preocupados com o crescimento interno e global. O FED que até dezembro estava hawkish, virou o posicionamento para dovish. O ECB (Banco Central Europeu) também está alinhando sua posição ao FED. Alguns bancos centrais já começaram os cortes de juros, e o BCB (Banco Central do Brasil) também deve acompanhar nos próximos meses.

Considerando esta dinâmica, é possível perceber nas oscilações diárias e fluxo de ordens que os participantes estão cada vez mais sensíveis para uma possível virada na economia global. O mercado está reagindo a cada notícia, dado econômico, fala dos membros do FED, que possa sinalizar de alguma forma as próximas ações dos BCs.

Trazendo para a semana do dia 15 até 19 de julho, com todos os acontecimentos e dados, o mercado havia ajustado aos preços dos ativos que o FED faria um corte de 25 bps (basis points) na taxa de juros na próxima reunião, 31 de julho. Na agenda, fala de membros do FED. A que movimentou o mercado foi a do Presidente do FED de Nova Iorque, John Williams, e alterou toda a precificação dos ativos. O mercado precificava um FED não tão dovish. O trecho da fala de Williams que surpreendeu e mudou a interpretação foi essa:

“É melhor adotar medidas preventivas do que esperar que um desastre se desenrole. Quando se tem tanto estímulo à disposição, compensa agir rapidamente para reduzir os juros no primeiro sinal de estresse econômico.”

O mercado sentiu que o FED poderia adotar uma posição mais dovish do que estava nos preços. Então, o mercado incorporou aos preços dos ativos uma precificação de um corte de 50 bps na próxima reunião (31 de julho). Esse comentário afetou todas as classes de ativos, principalmente moedas, ações, bonds e commodities (Ouro em especial), pois a alteração na variável de juros, além de afetar diretamente grandes participantes, os ativos e passivos das empresas e grandes instituições do mercado financeiro, ela pode mudar vetor de mercado no médio e longo prazo.

Após os comentários do FED de NY, além da precificação nos mercados globais, o mercado brasileiro também passou por ajustes: os participantes derrubaram a cotação do dólar e foram para o risco, comprando bolsa. As grandes instituições começavam a emitir opiniões sobre a realidade de um corte de 50 bps na Fed Funds no dia 31 de julho.

O mercado é dinâmico. Horas depois o FED de Nova Iorque explicou que a fala de Williams era voltada aos acadêmicos e não indicava o sentimento do FOMC. Então, o mercado voltou a corrigir para os níveis de preço anteriores, ou seja, novamente jogando os níveis de preço dos ativos para o corte de 25 bps.

Este evento de risco de alto impacto é um exemplo de que o trader que está preparado e alinhado com o que o mercado está precificando e esperando, pode gerar poderosas operações no intraday. São nesses momentos que o mercado muda de comportamento, e assimetrias aparecem, bem como fluxo de ordens direcional e forte que podem gerar excelentes operações de day trade.

As imagens abaixo são um resumo do que aconteceu em alguns dos ativos de referência: Euro (moeda), Iene (moeda) Ouro (commodity – Reserva de Valor), Bund Alemão (Juros), T-Note Americana (juros) e Mini S&P 500 (equities). Além dos níveis de preço, elas trazem o Volume Profile para mapear as áreas de valor (value area), a volatilidade intraday ponderada pelo volume (desvio padrão da VWAP) e outros recursos para analisar as rotações do fluxo de ordem nos ativos. Em todas elas há uma caixa amarela mostrando a janela dos acontecimentos: precificação de 50 bps e depois, ajuste aos níveis de 25 bps.

O Volume Profile pode ser útil para identificar as regiões de aceitação dos níveis de preços que o mercado negociava no dia 18, e então o retorno à ela no dia 19 quando o FED de NY trouxe a notícia que mudou o cenário dos participantes.

Anderson Alves

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