Cuidado para o efeito “Queda das Trump Towers” – Youtrading

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Cuidado para o efeito “Queda das Trump Towers”

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O Índice Bovespa está em suas máximas históricas, perto dos 70 mil pontos, em meio a uma onda de otimismo que se alastra pelo mundo, graças em parte ao excesso de dinheiro jogado nos mercados pelos bancos centrais dos países desenvolvidos para combater a recessão.

Mas, mesmo com o mundo bastante líquido e os EUA liderando, a bolsa brasileira pode eventualmente ter uma realização de lucros, derrubada por mercados internacionais e, localmente, pela economia fragilizada, que convive ainda com um dos maiores juros reais de sua história, algo que ninguém está falando ainda e é bastante preocupante, e um PIB que tem chances de ser negativo novamente.

Nos Estados Unidos, os sinais podem estar claros de que um aperto monetário está a caminho (e a passos largos) pode trazer realização de lucros nas bolsas, que não se cansam de bater novos recordes, com direito a apelidos majestosos como “Trump Towers”, referência aos três principais índices, Standard & Poor’s 500, Dow Jones e Nasdaq.

A situação se resume basicamente ao seguinte: durante o Quantitactive Easing (QE, programa de recompra de papéis dos bancos promovido pelo Federal Reserve, banco central americano para estimular a economia), os EUA imprimiram US$ 4 trilhões. A presidente do Fed, Janet Yellen, já vem avisando (e seus antecessores também) da necessidade de diminuir o déficit do banco. A questão é que, a cada dia que passa, estamos mais próximos do começo do “recolhimento do dinheiro”, que poderá ser feito pela alta de juros.

Há estimativas de que o juro americano possa ir para 3% ao ano, o que poderia trazer vendas maciças na bolsa e nos mercados de títulos privados, que é onde boa parte desses US$ 4 trilhões estão alocados. “Uma queda das “Trump Towers” poderia trazer consequências fortes para a bolsa do Brasil.”

No cenário local, a Selic de 13% ao ano menos uma inflação de 4,5% esperada pelo mercado representa um juro real de 8,5% ao ano. Ou pior, pois a inflação anualizada em alguns meses pode ficar perto de zero. Ou seja, um juro real de mais de 10% ao ano. Isso poderia machucar a economia real.

Segundo analistas, a exuberância exagerada da bolsa pode não refletir a economia real, que sofre com alta inadimplência, devolução de imóveis a taxas nunca vistas, investimento baixo, gastos governamentais limitados (teto do orçamento) e consumo aos frangalhos devido ao alto desemprego.

Caso a situação esteja um pouco melhor, a realização de lucros da bolsa pode ser mais fraca no caso dos EUA começarem a cair. Mas o investidor deve estar preparado.

Rodrigo Rebecchi

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Fonte de pesquisa: Exame.com