ARTIGO: Vida longa aos High Frequency Traders? – Youtrading

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ARTIGO: Vida longa aos High Frequency Traders?

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Nos mercados de capitais, após a virada tecnológica, em que os pits de negociação (floor) deixaram de existir para dar vida aos terminais eletrônicos em busca de mais eficiência e transparência, houve uma silenciosa guerra entre grandes participantes. Essa batalha foi tecnológica. As armas não eram disparadas com pólvora, mas sim com algoritmos escritos em linguagens de computador que rodavam em estruturas de última tecnologia, com hardwares customizados para alta performance, conectados através de redes de fibra ótica a poucos centímetros ou metros do servidor principal das bolsas de valores.

Estruturas de ponta, que no Brasil e lá fora são chamadas de “Acesso Direto Ao Mercado” (sigla em inglês, DMA). Uma das mais caras e cobiçadas é o acesso via co-location (DMA-4).

Durante as transições dos mercados – tanto nos EUA, Europa, América do Sul e Ásia – para o mercado eletrônico, a ineficiência, ou seja, as brechas tecnológicas, a incerteza dos participantes, o medo da nossa forma de negociar, a diferença de tempo (delay) e de tecnologia entre os players, deram vida aos negócios de alta frequência, ou em inglês, “high frequency trading”.

Os participantes que utilizavam dessa arquitetura tecnológica, tinham acesso a um avançado ecossistema que também exploravam as ineficiências geradas pela interação dos participantes, estrutura das bolsas e dos contratos, e também da liquidez, pois muitos desses algoritmos operavam como market makers (formadores de mercado, agentes que fornecem contratos nas duas pontas – compra e venda), lucrando no spread, rebate e tirando proveito com descontos fomentados pelas praças de negociação devido ao alto volume de giro.

Um modelo de negócio extremamente amplo, que trouxe com diversas oportunidades de alta lucratividade, já que se podia explorar as brechas, oferecer liquidez dentro e fora do mercado, e até mesmo alugar essa estrutura para agentes dispostos a pagar muito caro para ter acesso.

Muitos algoritmos também foram criados para explorar as diferenças entre diversos contratos, operações chamadas de arbitragem, que até hoje existe, e são de monopólio dos vencedores dessa guerra tecnologia. Afinal, eles possuem a tecnologia, o know-how, a localização, o portfólio, o modelo de negócio já formatado e a experiência de anos de batalha.

Todos os modelos de HFTs podem ser lucrativos? A resposta para esta pergunta é simples: não. Nem todos os modelos são aplicáveis e devido à grande concorrência, raramente um algoritmo consegue explorar o mercado por um médio ou longo período.

No desenrolar das batalhas nasceram os fundos quantitativos (quant funds), em que as decisões são determinadas por complexos modelos matemáticos e não mais por opiniões de figurões economistas, com influências e certo status no ramo. De acordo com um artigo publicado pela revista Financial Times em janeiro deste ano, o setor quantitativo – que evolui muito até os tempos atuais – traz o impressionante volume de capital investido de mais de 1 trilhão de dólares, o dobro do valor de 2010.

Como consequência, os tradicionais hedge funds e fundos mútuos, estão tendo que se renovar e se aliar a alta tecnologia para conseguir sobreviver.

E os impactos no mundo do varejo? Não há nenhum estudo definitivo sobre os impactos diretos dessa corrida tecnológica para os operadores discricionários, traders de varejo. Alguns papers acadêmicos, de bancos centrais, sugerem que a presença de certos tipos de HFTs pode ter trazido melhores condições para o mercado, como maior liquidez, menores spreads, menor volatilidade, etc.

Em outros trabalhos como o publicado pela Bolsa de Valores IEX (EUA) em dezembro de 2017, aponta que algumas recomendações aos reguladores sobre os algoritmos utilizados pelos participantes. Veja abaixo.

Analisando essa tendência, as operações com HFT já podem estar incorporadas à natureza das grandes firmas de investimentos, bancos, corretoras e fundos. Os algoritmos podem fazer com o que o mercado financeiro seja mais eficiente? Pode ser ou não. Podem criar desequilíbrios no mercado? Pode ser, lembra do Flash Crash em 2010? Podem prejudicar os investidores pequenos? Pode ser que em operações de curtíssimo prazo eles possam ter alguma influência. Mas isso tudo é bom ou é ruim? Difícil ter uma única resposta para esse ecossistema complexo com pontos positivos e negativos.

A única coisa que é certa é que muitos agentes e até mesmo bolsas podem concordar é que os algoritmos podem ser fortemente regulados, passar pelo crivo das bolsas de valores e atuar parar o bem geral dos participantes e do sistema financeiro.

Anderson Alves

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